Friday, October 31, 2008

Luiz Paulo na Alerj

O discurso abaixo foi feito por Luiz Paulo do dia 28 na Alerj. É longo, mas otimo. Acho que o PSDB do Rio fez muito bem em apoiar Gabeira. No final ele faz varias denuncias, espero que como deputado estadual ele se empenhe na investigação. O TRE terá muito trabalho, vamos fiscalizar.

"O SR. LUIZ PAULO
- Sr. Presidente, Srs. Deputados, queria falar um pouco sobre as eleições da cidade do Rio de Janeiro, da qual tive eu o prazer de participar, numa aliança tripla - PV, PSDB e PPS - como candidato a vice-prefeito da chapa encabeçada por Fernando Gabeira, do Partido Verde.

Recebi hoje uma frase de Fernando Pessoa que gostaria de repetir aqui porque reflete, com muita intensidade, o momento que vivemos nesse último domingo. Diz o grande escritor Fernando Pessoa: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem, por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

Diante dessa frase, queria agradecer ao eleitor e à eleitora carioca que entenderam que a candidatura de Fernando Gabeira, composta dessa aliança tripla, um homem de 67 anos que representava o novo, na política carioca. O novo, na forma de fazer política e fazer campanha; o novo no sentido de que a população desta cidade considera possível fazer política com ética, com honra, com dignidade, política com respeito, política com transparência.

E esses quase 50% dos eleitores cariocas que votaram em Fernando Gabeira, votaram nesse desejo. Votaram no sentido de restabelecer a esperança que muito havia se perdido no processo político eleitoral.

Considero, Deputado Coronel Jairo, que podemos perder ou vencer uma eleição, mas não podemos vencê-la a qualquer preço, porque há derrotas que muitas vezes, num futuro bem próximo, poderão ser transformadas em vitórias, e há vitórias a qualquer preço que, muito cedo, podem ser transformadas em derrotas. Se V. Exa., que é um homem cuidadoso, examinar o resultado eleitoral, há de verificar que muitas regiões desta cidade - 75% do eleitorado - votaram na candidatura de Fernando Gabeira, votaram a favor da esperança. E esse número de eleitores não cresceu mais em outras regiões da cidade talvez porque aquela população, aquele eleitor, aquela eleitora não tenha tido acesso à mensagem que estava sendo levada.

Essas eleições, além do mais, trouxeram o jovem para a política. O que será do futuro político deste País, desta Cidade, deste Estado sem a presença do jovem. E o jovem, de maneira maciça apoiou a candidatura de Fernando Gabeira. E eu me perguntava: por que um jovem de 16, 17 anos vibra com a candidatura de um homem de 67 anos, eis que eu também tenho 62 ? Por que essas extremidades estão se encontrando? Porque, seguramente, Fernando Gabeira está à frente de seu tempo e o jovem é sempre revolucionário na sua esperança, no desejo de mudança, ele também está sempre à frente do tempo.

Fomos derrotados eleitoralmente nessa eleição, mas saímos dela com a nossa alma reconfortada, porque conseguimos trilhar um caminho que foi entendido pela nossa sociedade; conseguimos trilhar um caminho que foi acalentado por muitos ao longo do tempo. Que essa lição sirva para todos nós que temos necessidade de mudar o processo político e ele não mudará na reforma política, porque quem faz a reforma política são aqueles que têm os interesses contrariados no Congresso Nacional.

A reforma política será feita pelo voto, pelo voto daquele que quer mudança, quer autenticidade, quer coerência, quer honestidade, quer compromisso com o dinheiro público, quer de fato que este País, que esta Cidade e que este Estado cresçam. Por isso, considero que tivemos, com a aliança que fizemos em torno de Fernando Gabeira, uma grande vitória política.

É claro, Sr. Presidente, que não estou alegre. Se dissesse a V. Exa. que estou alegre, estaria mentindo e não faço compromisso com a mentira. Estou triste porque perdi uma eleição que poderia ter sido ganha, apesar do feriado; poderia ter sido ganha apesar dos saquinhos de merenda escolar distribuídos para os cabos eleitorais; poderia ter sido ganha apesar dos panfletos apócrifos; poderia ter sido ganha apesar das faixas apócrifas; poderia ter sido ganha apesar de toda a sordidez praticada ao longo da campanha. Apesar disso tudo, nós poderíamos ter vencido, mas não vencemos, sob o ponto de vista eleitoral. Mas o mais bonito disso tudo é que nasceu dessas eleições a chama da esperança, e a esperança ninguém irá derrotar. Por isso, saímos de cabeça erguida dessas eleições. Confesso a V. Exa. que fico muito fortalecido pelo meu partido ter tido a lucidez de fazer essa aliança em torno de Fernando Gabeira, um homem de bem no sentido mais amplo da palavra."

Uma derrota triunfal, por Nelson Motta

Nelson Motta (Globo 31/Out/08)

Um dos aspectos mais detestáveis da “American way of life” é o culto incondicional aos que se dão bem na vida, aos aparentemente vencedores: o fundamentalismo de resultados. Ainda mais execrável é o seu complemento, o desprezo absoluto pelos perdedores, pelos fracos, pobres e pequenos, pelos “losers” que não conseguem dinheiro, poder ou felicidade.

Ou tudo isso junto, e também beleza, que se tornou um bem de consumo.

Porque vencer a qualquer preço não é um valor civilizatório nem moralmente aceitável. É o equivalente capitalista dos comunistas justificando os meios pelos fins. Por isso, numa sociedade ultracompetitiva, mas legalista, democrática e republicana, os que usam atalhos ilegais para “chegar lá” estão em minoria e, se flagrados, são punidos.

Por outro lado, nem todos os “losers” são vítimas de sua própria fraqueza, ignorância ou preguiça. Muitos que são vistos como perdedores são apenas independentes, artistas, intelectuais, até políticos, que fazem o que querem, ou acham que devem, e pagam o preço, em dinheiro e tempo perdidos.

No Brasil, a tradição é desprezar os bem-sucedidos. Aqui, o sucesso é ofensa pessoal, dizia Tom Jobim , vítima constante da inveja e do ressentimento provincianos.

Aqui, há um vezo por cultuar perdedores, culpando a sociedade, “todos nós”, por escolhas e fracassos individuais. Aqui é sempre diferente, mas desta vez foi mais diferente ainda.

O momento definidor da duríssima disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro foi quando o candidato Fernando Gabeira disse para seu adversário, um liberpolítico profissional idôneo, competente e ambicioso: “A diferença entre nós é que você faria qualquer coisa para ganhar a eleição. Eu não.” Eduardo Paes não pôde responder.

Nesse momento senti que Gabeira perderia a eleição. Mas faria história, com uma nova forma, limpa e positiva, sincera e criativa, de fazer política no Rio de Janeiro. Assim como a derrota de Marta Suplicy em São Paulo foi humilhante, a quase-vitória de Gabeira no Rio foi triunfal, um grande avanço e um justo orgulho para metade dos cariocas, uma esperança para todo o Brasil.

Fisiologismo - Dudu no Globo

É o velho fisiologismo (vale lembra e definição da palavra) em ação. Fiz um breve post sobre isso Elogio ou Denúncia. O fisiologismo é evidente leia por exemplo Petistas do Rio cobiçam cargos na prefeitura e chegam a falar em 'cota' do partido. Olhe o que Dudu tem a falar sobre isso em entrevista ao Globo de hoje:

"Eu quero privilegiar os servidores públicos, mas quero ter a oportunidade de ter secretários políticos. Até porque cheguei onde cheguei ocupando funções assim.

(...)

eu pretendo governar com um arco de alianças. Pretendo conversar com o PT, o PSB, o PCdoB.

(...)

Acho a Jandira um belo quadro político, (...) Se o PCdoB entender que a Jandira é um nome adequado para ser secretária no meu governo, certamente não terá meu veto. Não concordo com tudo o que a Jandira acha, mas é uma mulher com história decente, uma pessoa preparada."


Thursday, October 30, 2008

A vitória de Gabeira

Por Lula Vieira

Escrevo ao meio dia de domingo, antes de encerrar a votação aqui no Rio de Janeiro, com as pesquisas de intenção de voto indicando empate técnico entre os dois candidatos a prefeito, Fernando Gabeira e Eduardo Paes.

Trabalhei para Gabeira desde quando ele tinha 4% das intenções de voto e era um candidato tão pequeno que nem mereceu ser entrevistado pelo RJTV, que restringia o supremo prestígio de ser ouvido pelos repórteres àqueles que tivessem algo acima de 5% das intenções de voto.

Invariavelmente Gabeira aparecia na condição de “outros” quando os jornais e as emissoras de televisão falavam dos candidatos. O que mais ouvi neste mês de agosto foi que sem dúvida Gabeira era o melhor nome para a Prefeitura, mas que infelizmente não teria a menor chance.

Os eleitores mais conscientes tratavam de escolher “o menos pior” entre os que poderiam ganhar, Jandira Fegali, Bispo Crivella e Eduardo Paes. Essa difícil e desanimadora escolha ficava entre Jandira e Paes, pois “Crivella nunca”, pelo menos na ótica – como eu já disse – dos mais conscientes. Ou dos mais bem informados, sei lá.

Uma revista semanal, acredito que a IstoÉ ou Época (Veja tenho certeza que não foi) chegou a apelidar Gabeira de “Candidato Carrossel” por girar, girar, girar e não sair do lugar. Fui procurado pela mulher de Gabeira, Neila Figueiredo, e selamos o trabalho em conjunto no dia do velório de dona Ruth Cardoso, no aeroporto Santos Dumont, que permanecera fechado durante toda manhã.

Teria total liberdade, desde que não resolvesse criar um Gabeira de mentira. A restrição a qualquer tipo de maquilagem ia até mesmo à própria maquilagem. “As rugas são as marcas do tempo no rosto dele, devem ficar”. Não seria necessária a advertência. Mas fiquei contente por ouvi-la.

Acho que os marqueteiros são responsáveis pelo esvaziamento do conteúdo verdadeiro dos candidatos, embora não tenham culpa na falta de caráter e na compulsão pela mentira. Essas características o sujeito já traz de casa, ou de berço, como queiram.

Dias depois, na minha casa, traçamos o rumo da campanha: não atacar o adversário, ser absolutamente transparente, não sujar a cidade. A transparência deveria ir até mesmo no caixa da campanha: nada de Caixa 2, não receber dinheiro de companhia de ônibus nem de cooperativa de taxi, pagar e receber tudo “por dentro” e colocar todas as movimentaçõs imediatamente na Internet.

Se você for até o site da campanha vai achar lá o ítem “Ebulição”. É a nossa empresa. Todos os pagamentos que recebemos (e pagamos os impostos) estão lá. Para os padrões brasileiros, o dinheiro da campanha era quase pobre.

Como vantagem tínhamos a melhor equipe que a ideologia pode comprar: Moacir Góis na direção do programa de televisão, João Paulo na edição, Moacir Padilha dirigindo o rádio, Carlinhos Chagas na redação, e por aí afora.

Gente que se dispôs a trabalhar por menos da metade do que poderia cobrar, mas que se sentia recompensada pela oportunidade de se engajar na campanha de um candidato digno, limpo, idealista, agradável.Coisa raríssima nestes dias que correm.

Uma noite, logo nos primeiros dias, o Campanelli da MCR apareceu com um jingle de estarrecedora simplicidade, mas com potencial de se tranformar num mantra: “O Rio é de Gabeira…Gabeira…Gabeira” num ritmo classificado de “marchável”, meio hip hop, um chiclete de ouvido irresistível.

Fizemos um santinho, uma equipe se encarregou do site, nos concentramos nos programas de TVe rádio e entregamos a Deus, que com certeza deve ter pensado “Crivella nunca”. Tanto é verdade que Crivella, que vinha liderando as pesquisas, se envolveu com o escândalo de uma obra que se chamava “cimento social” e serviu como pá de cal para suas pretenções, com perdão pelo trocadilho.

Teve até a participação de um militar alucinado que entregou uns garotos para serem chacinados por uma gangue do tráfego. Tudo respingou no Bispo e no seu discurso messiânico de ungido pelo céu e por Lula. Só no discurso dele, pois ambos não quiseram se comprometer.

Tivemos a imensa vantagem de termos bom tempo na TV e no rádio, cerca de cinco minutos, e de não sermos ameaça para ninguém. Por isso pudemos apresentar Gabeira com toda calma, como alguém capaz de ter uma visão mais aberta, mais moderna, mais cosmopolita para os imensos problemas da cidade.

Eduardo Paes veio como o grande síndico que se preparou durante dezessete anos para ser prefeito. Dizia conhecer cada pedra, cada buraco da cidade. Prometeu instalar 40 UPA’s (Unidades de Pronto Atendimento), uma espécie de Centro de Saúde feito rapidamente e outras coisinhas que transformariam o Rio de Janeiro numa Finlândia em apenas 4 anos.

Jandira, por ser médica, centrou seus esforços na saúde e Crivella era o amigo dos pobres. Jandira parecia ter acabado de acordar no meio de um plantão: nervosa, desgrenhada, vestido aparentemente amassado.

Entre os nanicos, o candidato do PT resolveu transgredir a mais sagrada das normas da televisão e passou o tempo todo falando de lado, para um ponto à esquerda do espectador. Bonitinho, bonzinho, arrumadinho, era o bom filho, o bom colega e o bom professor.

Todos sabem que realmente é um homem direito, mas ficou bonzinho demais, arrumadinho demais. Falou bastante, mas todo mundo se perguntava porque ele olhava para o lado. Chico Alencar é o Chico Alencar, veio de Chico Alencar e falou como Chico Alencar. Levou os votos de Chico Alencar. Meia dúzia.

Os demais se confundiam com os candidatos a vereador. Um deles tinha um belo slogan: “quem pica cartão não vota em patrão”. Em conjunto eles iam implantar o socialismo, destruir a Rede Globo e conduzir os povos à libertação, à verdadeira democracia e à divisão justa de renda.

Chega o dia da eleição e, para estupor geral, Gabeira – o candidato Carrossel, o sem chance, o nanico do bem, tira um magnífico segundo lugar e vai para o segundo turno, juntamente com Eduardo Paes, candidato do governador e do presidente. O

O espanto maior, no entanto, foi dos institutos de pesquisas que até o dia anterior davam como certa presença de Crivella como adversário de Paes. Neste mesmo dia, Gabeira virou maconheiro, viado, defensor do aborto e da prostituição, nefelibata e tudo mais que é possível se falar contra um político brasileiro.

Só não poderia ser demagogo, mentiroso e ladrão porque no caso do Gabeira é impossível se falar isso dele. Nas primeiras semanas todos os derrotados se aliaram ao Paes, que passou a ser candidato da máquina estadual, nacional e universal (do Reino de Deus).

Lula falou de Paes, Cabral falou de Paes, Crivella falou de Paes, Jandira falou de Paes. Até Molon do PT e Vladimir Palmeira se aliaram a Eduardo Paes. O solitário apoio a Gabeira veio de César Maia, o único prefeito do mundo que surtou e virou blogueiro em pleno mandato.

Quer dizer, vieram dar apoio, além de Cézar Maia, Caetano Veloso, Fernanda Torres, Adriana Calcanhoto, Alceu Valença, Debora Colker, Oscar Niemayer, Gustavo Lins, Alcione, Wagner Moura, Martinália, Pedro Luiz, Marina Lima, João Bosco, Paula Toller, Frejat, Nelson Mota, Armínio Fraga, Aécio Neves e mais oito mil voluntários.

Logo no comecinho me lembro de uma passagem de Gabeira. Um político, dos mais conceituados, propôs a Gabeira começar a mostrar os podres da turma de Paes, um amplo arco de alianças que iam do famoso Piciani a Jorge Babul, passando por uma varidíssima fauna de pessoas sobre as quais não resta a menor dúvida.

Gabeira respondeu: “eu prometi não atacar adversários”. O interlocutor não deixou por menos: “então você vai perder”. Gabeira respondeu firme: “então eu vou perder”. Noutra ocasião, um empresário, que já foi meu cliente, liga oferecendo dinheiro para a campanha. Gabeira instrui o financeiro: “você já sabe, quando empatar com as despesas, pare de receber qualquer dinheiro”.

Nunca antes na história deste país um político se dispôs a receber somente o dinheiro necessário para a campanha. Fizeram de tudo, de tudo mesmo, até a suprema burrice: mandar imprimir na Gráfica da Ediouro, de quem sou Diretor de Marketing, um folheto contra Gabeira.

Ninguém acreditou nem vai acreditar, mas tal como Lula, eu não soube de nada, a não ser quando o TRE confiscou o material, que por sinal estava dentro da Lei, com nota fiscal e tudo. Paes ficou repetindo o bordão: “Gabeira é apoiado pelo César Maia, Gabeira é apoiado pelo César Maia, Gabeira é apoiado pelo César Maia”.

O engraçado é que todo o currículo de grandes realizações de Paes foi como subprefeito, e secretário… de César Maia. Que raça! No telefone, Gabeira fala de uma vereadora: “ela é analfabeta política…está fazendo política suburbana”. Os jornalistas ouvem e dão a notícia.

Mais um bordão: “Gabeira é preconceituoso, Gabeira é preconceituoso, Gabeira é preconceituoso”. Milhares de faixas são impressas: “sou suburbano com muito orgulho”. Uma feijoada é oferecida aos suburbanos ofendidos e Noca da Portela e outros menos votados dão apoio a Paes, o amigão do subúrbio.

Cria-se uma situação irreal. Gabeira, menino pobre, que vendia banana e ovo para ajudar o pai, professor voluntário na Zona Norte, vira o “candidato dos ricos”, enquanto Paes, menino da Zona Sul, estudante de colégios caros e da PUC, quer se consagrar como “o candidato dos pobres”.

Paes, 38 anos, cara de garotão é o velho matreiro, conhecedor dos meandros da política, o experiente. Gabeira, 68 anos é o jovem, impetuoso, novidadeiro, contemporâneo. E começam os debates. Até o último, da TV Globo na sexta-feira anterior ao domingo da votação, foram 7 deles.

Gabeira venceu sempre, na opinião dos internautas. Alguns momentos foram muito bons. Por exemplo, quando Paes afirmou que se preparava a vida inteira para ser prefeito do Rio, Gabeira respondeu: “pois eu me prepararei a vida inteira para… a vida inteira”.

Ou, então, quando Paes disse que seria necessário saber que “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”, recebeu como resposta: “a esta altura da vida eu já sei”.

Vladimir Palmeira pode nesta eleição ter batido o recorde mundial de ingratidão. Gabeira sequestrou o embaixador americano para que Vladimir, entre outros presos políticos, pudesse ser libertado. E Palmeira decidiu apoiar Eduardo Paes.

Por falar em embaixador sequestrado, a filha do próprio fez absoluta questão de declarar seu apoio a Gabeira. E contou que o pai dela tinha boas recordações dele. Na imprensa escrita, inaugurou-se um novo tipo de colunismo: o de crítica a horário eleitoral gratuito. Como se fosse novela.

O Globo e o Jornal do Brasil tiveram seus colunistas que diariamente comentavam sobre roupa, postura, edição. O colunista do JB, se sentindo obrigado a fazer uma gracinha por dia, algumas vezes se perdeu na busca do humor.

A certa altura, como o programa de Gabeira fazia enorme sucesso com seus clipes de cantores, Paes colocou no seu programa a entrevista de uma jovem na rua que afirmou: “eu quero ver propostas, não musiquinhas bonitas”. Nem na Noruega se vê tanta participação cidadã.

Uma jovem exigir dos candidatos a apresentarem suas propostas de governo é tão natural quanto as donas de casa que afirmavam que Paes no seu tempo de sub prefeito entrou na lama até a cintura para ajudar as pessoas assoladas por uma enchente.

Uma enorme demonstração de incompetência de seus auxiliares foi não encontrar uma única foto registrando o heróico feito. Hoje o eleitor decide quem é o prefeito do Rio de Janeiro. O resultado sairá dentro de algumas horas. Seja qual for o vencedor, Gabeira sai muito maior do que entrou.

É um político que pode se orgulhar do respeito de todos, inclusive de seus adversários, que jamais colocaram em dúvida sua honradez e honestidade. Outra vitória de sua candidatura foi a de trazer para milhões de pessoas a informação de que é possível se fazer politica com seriedade.

Trouxe também a participação dos jovens, entre os quais, as pesquisas eram unânimes em apontá-lo como o candidato preferido. Nesta eleição não se ouviu o tradicional discurso do “político é tudo igual”, principalmente por parte deles.

Gabeira demonstrou que os políticos, como as pessoas, são diferentes. Sua campanha termina com a marca da elegância, do bom humor e do amor pelo Rio de Janeiro. O Rio foi votar sorrindo. Essa é a grande, a enorme vitória de Fernando Gabeira”

Gabeira

Muito bom o video.

Elogio ou Denúncia?

Li uma reportatem de Fernando Molica do O Dia que diz:

"Paes, na medida do possível, nomearia representantes de partidos que têm cargos correspondentes nos governos federal e estadual. O PSB, por exemplo, que ocupa o Ministério e a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, ficaria com o mesmo setor.

Isso favoreceria o entendimento e a liberação de verbas: os recursos seriam para um correligionário. "


Nada pode ser menos republicado que isso. O prefeito que fala abertamente em favorecimento. Será que as construtoras para ganhar contratos também vão ter que ser alinhadas com o senhor Eduardo Paes?

Os 1.640.970 do Rio de Janeiro

Augusto Nunes - Jornal do Brasil

Convidado a disputar a prefeitura do Rio pela coligação que juntou o PV, o PSDB e o PPS, o deputado federal Fernando Gabeira condicionou a aceitação a cinco pré-requisitos. Primeiro: a campanha deveria ser limpa em todos os sentidos. Sem faixas nem galhardetes pendurados em postes, sem panfletos nem outras velharias que poluem a paisagem urbana. E sem ataques pessoais, truques eleitoreiros e outras espertezas que poluem a paisagem eleitoral.

Segundo: o programa do candidato passaria ao largo de questões nacionais para se restringir a propostas e idéias vinculadas aos problemas da cidade. Terceiro: tanto as quantias arrecadadas quanto os gastos de campanha seriam divulgados diariamente pela internet, com a especificação da origem e do destino do dinheiro. Quarto: se chegasse ao segundo turno, a coligação não negociaria alianças nem adesões.

Quinto: alcançada a vitória, a montagem do secretariado não obedeceria a imposições partidárias ou conveniências políticas. Em vez do indecoroso loteamento de cargos, o prefeito usaria o critério do mérito para a montagem do primeiro escalão: seriam secretários municipais os melhores e mais brilhantes. Alguns camuflando o espanto, os líderes dos três partidos toparam. Parece mentira, decerto pensaram. Parece mentira, concordaram os eleitores.

Segundo todas as pesquisas, Gabeira largou com menos de 5% e entrou na reta final da campanha com índices pouco animadores. Faz sentido. Exauridos por bandalheiras protagonizadas pelas quadrilhas de pais da pátria, afrontados pela descoberta de que a imunidade parlamentar virou salvo-conduto forjado para livrar da cadeia bandidos homiziados no Congresso, os brasileiros desistiram da esperança como profissão e decidiram que os políticos eram todos iguais.

Só a duas semanas da eleição milhares de cariocas compreenderam que havia mesmo um candidato honesto, coerente, inventivo, preocupado não com o próprio futuro mas com o destino da cidade humilhada pela procissão de governantes ineptos. E cumpria o prometido: a campanha avançou sem zonas de sombra, com pouco dinheiro, sem comitês nem papelório, sem ofensas nem insultos.

Os 839.994 votos obtidos por Gabeira no primeiro turno escancararam duas constatações espantosas. Os três primeiros pré-requisitos haviam sido plenamente atendidos. Mais importante ainda, o Rio avisara ao Brasil que, apesar de tudo, a tribo dos decentes é bem maior do que se imaginava.

A passagem para o segundo turno permitiu a Gabeira mostrar que, como estabelecera a quarta cláusula do contrato verbal, não negociaria adesões. Até domingo passado, o candidato foi visto ao lado de gente como Oscar Niemeyer, Caetano Veloso ou Marina Silva. Paes submergiu em conversas clandestinas com o porteiro do céu Marcelo Crivella, a comunista domesticada Jandira Feghali, o estafeta petista Vladimir Palmeira ou com os fora-da-lei do PTdoB.

Na etapa final do duelo, Paes foi amparado pela nada santa aliança que incluiu um balaio multipartidário, o governador, o presidente da República e um pelotão de especialistas em guerra suja. Os candidatos barrados no primeiro turno embarcaram no iate de Paes. O resultado final demonstra que os eleitores preferiram a onda Gabeira. Juntos, Jandira e Crivella conseguiram quase 1 milhão de votos. Entre uma rodada e outra, o crescimento de Paes não chegou a 650 mil votos. O de Gabeira passou de 800 mil.

Tudo somado, os 1.640.970 eleitores do candidato que há três meses parecia um sonho impossível protagonizaram o mais belo, abrangente e empolgante fenômeno da temporada eleitoral - e fizeram de Gabeira uma prova de que o Brasil decente está pronto para a resistência. Faltou platéia para comemorar a vitória de quem será prefeito. O povo festejou nas ruas o desempenho de quem por pouco não foi. No restante do país, ninguém se interessou pela sorte de Paes, ninguém viu algo de novo no que dizia. Em contrapartida, distribuídos por todos os Estados, milhões de brasileiros juntaram-se à distância ao bom combate.

Os 1.640.970 do Rio de Janeiro transformaram o que parecia apenas uma onda num genuíno movimento popular. O movimento já exibe dimensões impressionantes. E só começou.

A derrota de Paes

Do blog da jornalista Cora Rónai:

Abrindo mão das próprias convicções (se é que um dia as teve), aliando-se ao que há de mais podre no estado, gastando rios de dinheiro, jogando sujo, usando descaradamente a máquina estadual, federal e universal, beneficiando-se até de um feriado mal intencionado, enfim, com tudo isso, Eduardo Paes só conseguiu ganhar de Gabeira por 50 mil míseros votos.

Como vitória política, já é um resultado extremamente questionável; mas do ponto de vista pessoal, é uma derrota acachapante.

Eduardo Paes levou a prefeitura, sim, mas de contrapeso ficou com uma quadrilha de aliados que não deixa nada a dever àquela que ele acusava o presidente Lula de comandar.

Vai ser prefeito, sim, mas vai ter de arranjar boquinhas para o Crivella, para o Lupi, para o Piciani, para a Clarissa Garotinho, para o Roberto Jefferson, para a Carminha Jerominho, para o Babu, para o Dornelles, para a Jandira... estou esquecendo alguém?

Conquistou um cargo, é verdade, mas conquistou também o desprezo mais profundo de metade do eleitorado.

Em compensação, como carioca, perdeu a chance de viver um momento histórico, em que a prefeitura seria, afinal, ocupada por um homem de bem, com idéias novas e um novo jeito de fazer política; perdeu a chance de ver o Rio de Janeiro sair do limbo a que foi condenado nas últimas décadas, e ganhar projeção pela singularidade da sua administração.

Se Gabeira tivesse sido eleito prefeito, o Rio, que hoje não significa nada em termos políticos, voltaria a ter relevância, até pelo inusitado da coisa. Um prefeito eleito na base do voluntariado, do entusiasmo dos eleitores e da vontade coletiva de virar a mesa seria alguém em quem o país seria obrigado a prestar atenção.

Agora, lá vamos nós para quatro anos de subserviente nulidade, quatro anos em que o recado das urnas será interpretado, pela corja que domina esta infeliz cidade, como um retumbante "Liberou geral!"

Nojo, nojo, nojo.

Monday, October 27, 2008

Jabor

Arnado Jabor falou a CBN:
Cariocas terão o governo que merecem. E não adianta chorar pelo chopinho derramado
(ta no You Tube também)

Luto - Depois do sonho o pesadelo

Ver o PMDB do Rio ganhar. Saber que junto com Paes vem Crivella, Jandira, Babu. Rosinha eleita. Severino eleito. Sarney mais forte que nunca. Ver Geddel Vieira Lima ganhando força. Ver Lula atuando como um analfabeto politico gritando besteiras em palanques. Ver Orestes Quércia mais forte pq ajudou a eleger Kassab. Ver o baixo nível das campanhas de BH e Rio.

Agora que o sonho Gabeira acabou (ate 2010 ao menos) e triste abrir os olhos.